Projeto Político Pedagógico

Conforme o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, o Técnico em Meio Ambiente será habilitado para: - Coletar, armazenar e interpretar informações, dados e documentações ambientais. - Auxiliar na elaboração, na análise de projetos, nos relatórios e estudos ambientais. - Propor medidas para a minimização dos impactos ambientais e para a recuperação de ambientes já degradados. - Executar sistemas de gestão ambiental. - Organizar programas de educação ambiental com base no monitoramento, na correção e prevenção das atividades antrópicas, na conservação dos recursos naturais através de análises prevencionistas. - Organizar redução, reuso e reciclagem de resíduos e/ou recursos utilizados em processos. - Identificar os padrões de produção e consumo de energia. - Realizar levantamentos ambientais. - Operar sistemas de tratamento de poluentes e resíduos sólidos. - Relacionar os sistemas econômicos e suas interações com o meio ambiente. - Realizar e coordenar o sistema de coleta seletiva. - Executar plano de ação e manejo de recursos naturais. - Elaborar relatório periódico das atividades e modificações dos aspectos e impactos ambientais de processo, indicando as consequências de modificações. - Realizar ações de saúde ambiental nos territórios. - Desenvolver tecnologias sociais ambientais. - Promover ações de manejo ambiental. - Avaliar e monitorar sistema de tratamento e abastecimento de água, bem como de esgotamento sanitário. - Monitorar os indicadores de qualidade do ar atmosférico. - Executar ações de controle e manejo da poluição. - Realizar vistoria ambiental e sanitária. - Realizar monitoramento ambiental. - Elaborar diagnóstico das condições socioambientais, econômicas e culturais. - Identificar problemas de saúde relacionados aos fatores de riscos ambientais do território e intervir neles, com o propósito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. - Conhecer e utilizar sistemas de informação geográficas para uso em atividades de geoprocessamento no trabalho ambiental. - Conhecer e integrar o sistema de saneamento ambiental bem como sua relação com a saúde pública. - Auditar sistemas de gestão ambiental. - Atuar nas áreas de educação, proteção e recuperação ambiental.

São locais e ambientes de trabalho do egresso no Curso Técnico em Meio Ambiente: Aterros sanitários; Autarquias e órgãos públicos; Cooperativas e associações; Empreendimento próprio; Empresas de licenciamento ambiental; Empresas prestadoras de serviços; Estações de monitoramento e tratamento de efluentes (líquidos e gasosos) e resíduos sólidos; Estações de tratamento de água, esgoto sanitário, efluentes industriais e resíduos; Indústrias e demais unidades de produção; Instituições de assistência técnica, pesquisa e extensão rural; Organizações não governamentais (ONGs) ambientais; Profissional autônomo; Unidades de conservação ambiental e Unidades de manejo de recursos hídricos e de resíduos.

O egresso do curso Técnico em Meio Ambiente terá como competências:
- Relacionar os principais aspectos ambientais ao desenvolvimento sustentável, territorialização e monitoramento ambiental, de saúde e econômico, orientando e controlando os processos voltados às áreas de conservação, gestão, educação e tecnologias socioambientais.
- Resolver situações-problema ligados a área ambiental, com autonomia, organização e responsabilidade, trabalhando em equipe, de forma ética e colaborativa.

33. Metodologia de desenvolvimento pedagógico do curso: É consenso o quanto a sociedade se transformou em termos de organização e funcionamento nas últimas décadas. Se uma antiga sociedade industrial foi sucedida por uma sociedade da informação, essa última também está dando passagem a um novo modelo. Resnick (2020), por exemplo, sugere uma sociedade do conhecimento, onde as informações precisam estar contextualizadas e aplicadas, ou ainda uma sociedade da criatividade, onde as pessoas precisam reaprender com regularidade a se adaptar, pensar e agir criativamente. A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) é uma modalidade que também trabalha no sentido de construir conhecimentos que habilitem os estudantes analisar, questionar e compreender o contexto onde estão inseridos, com capacidade crítica e criativa dentro da sociedade que vivem e atuam como cidadão (INOCENTE et al., 2020). É nesse contexto que as metodologias ativas se mostram como estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem, de forma mais flexível, interligada e híbrida do que o tradicional (BACICH; MORAN, 2018). São muitos os exemplos dessas metodologias atualmente em uso, em termos e práticas que muitas vezes se sobrepõem, como a sala de aula invertida, gamificação, ensino STEAM, Aprendizagem Baseada em Problemas (AB Problemas) e a Aprendizagem Baseada em Projetos (AB Projetos). O IFSC Campus Lages foi pioneiro na instituição ao aprovar um projeto pedagógico de um curso de Pós-Graduação Lato sensu em Microbiologia com o currículo integralmente desenvolvido dentro da metodologia ativa de aprendizagem baseada em problemas. Agora, a proposta do Curso Técnico Concomitante em Meio Ambiente é que suas unidades curriculares sejam ministradas integralmente dentro da metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos. Na Aprendizagem Baseada em Projetos, os discentes se envolvem com tarefas e desafios para resolver problemas ou compreender fenômenos, desenvolvendo um projeto que também tenha ligação com a sua vida fora da sala de aula (MORAN, 2013). Um dos pressupostos da AB Projetos é a consideração de situações reais relativas ao contexto e à vida, no seu sentido mais amplo, que devem estar relacionadas ao objeto central do projeto em desenvolvimento (BARBOSA; MOURA, 2013). Como destacado por Bender (2014) “consiste em permitir que os discentes confrontem as questões e os problemas do mundo real que consideram significativos, determinando como abordá-los e agindo cooperativamente em busca de soluções”. Nesse processo, os discentes interagem com questões inter e transdisciplinares, tomam decisões e agem sozinhos e em equipes. O trabalho por meio de projetos invariavelmente conduz a habilidades de pensamento crítico e criativo e a percepção de que existem diversas maneiras de se executar uma tarefa (BACICH; MORAN, 2018). Os projetos podem ser do tipo construtivo, com dimensão de invenção de função, forma ou progresso; investigativo, com desenvolvimento de uma pesquisa sobre questão ou situação, mediante emprego do método científico; ou didático, buscando explicar o funcionamento de objetos, fenômenos, mecanismos ou sistemas (BARBOSA; MOURA, 2013). Serão 16 unidades curriculares desenvolvidas em projetos distribuídas em quatro eixos temáticos (‘Conservação e Estudos Ambientais’, ‘Monitoramento Ambiental’, ‘Educação e Sustentabilidade’, ‘Ciência e Tecnologia Ambiental’). Nos dois projetos integradores, o discente terá a experiência de estabelecer por si o problema para qual ele vai desenvolver o projeto, com uma autonomia ainda maior do que nas unidades curriculares. O sistema de matrícula possibilitará a divisão das turmas entre discentes do primeiro e do segundo ano, em uma sinérgica troca de experiências entre os estudantes. No momento do ingresso, o discente será automaticamente matriculado em um dos eixos do primeiro semestre - ‘Conservação e Estudos Ambientais’ ou ‘Monitoramento Ambiental’. No segundo semestre, metade da turma optará por ‘Educação e Sustentabilidade’, e a outra metade por ‘Ciência e Tecnologia Ambiental’. Quando o discente avançar para o segundo ano do curso, ele se matriculará no outro eixo do primeiro semestre que ele não cursou, tendo a companhia de colegas da sua turma, do segundo ano, e de discentes ingressantes do curso, do primeiro ano. O mesmo acontece no próximo semestre, seu último semestre no curso, quando terá colegas do primeiro e segundo ano. Por fim, é importante destacar a potencialidade que as unidades curriculares desse curso possuem para estarem ligadas a Editais de Pesquisa, Extensão e, principalmente, Didáticos-Pedagógicos, aumentando os recursos disponíveis para a sua execução e ampliando seus resultados. Em cada unidade curricular o processo é, naturalmente, flexível e adaptado para cada situação, mas segundo Bender (2014), há alguns itens que podem ser considerados características essenciais de um projeto de AB Projetos. Toda atividade deve contar com uma âncora, algo que desperte o interesse dos discentes, e uma questão motriz, que norteia as atividades. O discente deve ter voz e escolha em relação a aspectos do projeto. Nessa metodologia os resultados de cada projeto devem ser apresentados publicamente, já que são exemplos de problemas que os discentes enfrentam no cotidiano. Cada projeto poderá ter um docente ou, normalmente, um grupo de docentes responsáveis, que elaborarão o problema, estruturarão o processo de estudo para envolver os tópicos listados nas ementas e desenvolverão o trabalho junto ao grupo. É crucial que a atividade envolva trabalho em equipe de modo colaborativo e cooperativo, situações de investigação, reflexão e inovação, garantindo ao discente uma visão mais abrangente do seu aprendizado, muito além de apenas um conjunto de conceitos memorizados. A capacitação dos docentes que atuarão no curso, na metodologia de aprendizagem baseada em projetos, é fundamental para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, desde 2019, o IFSC câmpus Lages vêm promovendo ações de formação docente em metodologias ativas de ensino e possui um plano de capacitação para os docentes envolvidos no curso. Para a primeira oferta, em 2023/1, os docentes participarão de duas oficinas, planejadas e ministradas por professores com experiência na metodologia, com foco na construção dos projetos e ambientação com a metodologia em sala de aula, passando por todas as etapas da metodologia. Para os docentes ingressantes após a primeira oferta do curso, será disponibilizado um curso sobre ABP no Moodle, que será condicionante para que o docente atue no curso técnico em meio ambiente, do câmpus Lages. A fim de permitir o intercâmbio de experiências e discussão do processo de ensino-aprendizagem, a coordenação de curso realizará reuniões com o colegiado docente do curso, a cada 15 dias. Pensando também na adaptação do estudante à metodologia, foi incluído o tópico ‘Ambientação a Metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos’ em dois componentes curriculares que iniciam o curso: ‘Estudos Ambientais’, do Eixo Conservação e Estudos Ambientais e ‘Monitoramento Ambiental’, do Eixo Monitoramento Ambiental. A proposta é que na primeira semana do curso sejam trabalhados com os alunos aspectos de funcionamento da metodologia, do papel do docente e do discente no processo e a avaliação dentro de cada componente. Para os estudantes que ingressarem no curso após as primeiras semanas de aula ou no segundo semestre por meio de transferência, a coordenação do curso elaborará um material de apoio, incluindo vídeos, de como funciona a metodologia.

Chefe DEPE: Silmar Primieri, depe.lgs@ifsc.edu.b r, (49) 3221 4209 4.
Coordenador do curso: João Gustavo Provesi, joao.provesi@ifsc.edu.br, (49) 3221-4200 

34. Avaliação da aprendizagem: Conforme o Regulamento Didático-Pedagógico do IFSC, aprovado pela Resolução Consup n° 20/2018, a avaliação da aprendizagem nos cursos devem compreender o diagnóstico, a orientação e a reorientação do processo de ensino e aprendizagem visando a construção dos conhecimentos. Nessa perspectiva, a avaliação dentro da metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos considera aspectos muito além do conhecimento em si, como autonomia, proatividade, participação, trabalho em grupo e realização de atividades dentro de cada projeto. Essa avaliação é constante ao longo do desenvolvimento de cada projeto, possibilitando identificar pontos de fragilidade e propor atividades em planos de recuperação. Assim, além de um feedback constante durante o desenvolvimento do projeto, no Curso Técnico Concomitante em Meio Ambiente os estudantes terão sua avaliação formalizada em duas modalidades: Avaliação de Desempenho (AD): é realizada em, no mínimo, três momentos ao longo do projeto. Envolve a avaliação formativa do docente em relação ao desempenho do estudante no projeto, a avaliação dos pares em relação ao desempenho do estudante e a autoavaliação do estudante. Envolve também a avaliação dos produtos entregues ao longo do projeto, conforme planejamento estabelecido. Essa avaliação é feita por rubricas, que é uma ferramenta que indica, em uma escala, as expectativas específicas para uma determinada tarefa. Essa avaliação é registrada pelo docente no diário de classe na forma de valores inteiros de 0 (zero) a 10 (dez), sendo analisadas e discutidas conjuntamente com os discentes, estabelecendo também planos para recuperação e melhora do desempenho do discente. Avaliação de Conhecimentos (AC): é realizada em, no mínimo, dois momentos ao longo do semestre. Consiste em avaliar a capacidade individual do estudante de mobilizar e aplicar o conhecimento adquirido, em instrumentos diversos, a critério de cada unidade curricular, como testes e provas escritas, com ou sem consulta; entrevistas e arguições; resolução de exercícios; apresentação de seminários; relatórios técnicos sobre um determinado aspecto do projeto; entre outros instrumentos que a prática pedagógica indicar. As avaliações serão registradas no diário de classe na forma de valores inteiros de 0 (zero) a 10 (dez), sendo analisadas conjuntamente com os discentes e devolvidas a eles, no prazo máximo de 15 (quinze) dias após sua aplicação. Como o Curso Técnico Concomitante em Meio Ambiente prevê, em cada projeto, 20% de atividades EaD, é importante destacar que as atividades avaliativas da modalidade Avaliação de Conhecimentos (AC) poderão, a critério do docente, ser planejadas e realizadas no ambiente virtual de ensino e aprendizagem AVEA, envolvendo os instrumentos já citados. Para atividades de Avaliação de Desempenho (AD), somente aquelas relacionadas ao projeto em si, como produção de material - protótipos, vídeos, podcasts, entre outros - poderão ser realizadas em EaD através do AVEA. As avaliações envolvendo o desempenho dos estudantes no projeto deverão obrigatoriamente ser presenciais. O estudante será considerado aprovado quando alcançar conceito mínimo de 6,0, com frequência mínima de 75%. A recuperação de estudos será oferecida a todos os estudantes a fim de promover melhoria na aprendizagem. As novas atividades ocorrerão, preferencialmente, no horário regular de aula, podendo ser criadas estratégias alternativas que atendam necessidades específicas, tais como atividades sistemáticas em horário de atendimento paralelo e estudos dirigidos. Ao final dos estudos de recuperação o discente será submetido à nova avaliação, cujo resultado será registrado pelo docente, prevalecendo o maior valor entre o obtido na avaliação realizada antes da recuperação e o obtido na avaliação após a recuperação. Caso o estudante não alcance a nota mínima após a recuperação ou não possua a frequência mínima, ele será reprovado. A reprovação em uma unidade temática não elimina a possibilidade que o estudante frequente os semestres seguintes. Organizado pela Coordenadoria do curso conjuntamente com a Coordenadoria Pedagógica, o conselho de classe será realizado em dois momentos ao longo do semestre - o conselho intermediário e o conselho final. Os representantes de turma, orientados pela Coordenadoria Pedagógica em parceria com a Coordenadoria de Curso, realizarão uma avaliação com a turma, a fim de identificarem as questões educativas a serem levadas ao conselho de classe, contribuindo para a avaliação de todo o processo ensino-aprendizagem. A decisão do conselho de classe é soberana sobre as decisões educativas individuais, devendo-se sempre buscar o consenso, confirmando sua legitimidade.

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